Residência com o ¿por quá? relembra uma das primeiras intervenções artísticas do grupo

O TRANSporquar, projeto de manutenção do ¿por quá? grupo que dança, durante todo o ano de 2018, buscou fazer com que o grupo estivesse sempre se relacionando com outros. Todas as apresentações foram realizadas a partir de parcerias e as oficinas e residências artísticas também. Depois de fechar uma agenda cheia de convidados para conduzirem diversas atividades, chegou a vez do próprio ¿por quá? estar à frente de uma residência artística.

Durante cinco encontros entre setembro e novembro, os integrantes porquarias Luciana Ribeiro e Hilton Júnior conduziram uma residência para a comunidade acadêmica do curso de Licenciatura em Dança do IFG Campus Aparecida de Goiânia. “Durante o TRANSporquar, nós, do grupo, fomos alimentados por vivências e aprendizados. O objetivo desta residência era justamente a gente poder alimentar um grupo de iniciação. A parceria foi feita com o IFG e foi muito emocionante”, comenta Luciana Ribeiro.

Além de apresentar a trajetória do grupo - que neste ano completa 18 anos de existência -, na proposta estava uma das primeiras intervenções que o ¿por quá?  produziu, de 2002: “eu danço, me pergunte, como?”.

“eu danço, me pergunte, como?”

Esta é uma performance que tem o objetivo de criar várias situações que instiguem as pessoas para um momento “personalizado” de dança. A ideia é que, ao circular pelo espaço, o artista provoque as pessoas (de várias maneiras) a perguntarem como ele dança. Quando alguém pergunta, ele dança especificamente para esta pessoa, estabelecendo relações diretas e intrigantes. Finalizando sua proposta de dança, que sempre remete a assuntos pessoais, interrompe o que estava fazendo e volta a circular pelo espaço para provocar outras pessoas a questioná-lo.

Luciana Ribeiro explica ainda que o ¿por quá? grupo que dança usava esta intervenção também para iniciar novos integrantes, mas quando o grupo se profissionaliza, em 2010, surge uma outra perspectiva de trabalho. “O ¿por quá? nasce dentro de uma faculdade para seduzir novos alunos [...] Por isso trabalhar com pessoas que estão iniciando seus caminhos na dança e poder encantar novamente por meio desta intervenção foi tão emocionante”.

Que dança dançar para o outro

A residência com o ¿por quá? grupo que dança proporcionou aos alunos entrar em contato com um grupo já maduro e profissional. Poder experimentar uma proposta artística que “te convida a ser artista convidando o outro a ver sua arte” é um processo muito particular e que foi muito bem recebido pelos participantes.

A aluna Millena Melo, do 4º período, escolheu um tema atual para provocar sua dança em uma performance que abordou o universo feminino. “A residência foi como eu queria que fosse no sentido de ‘sair da caixinha’, das estéticas pré-estabelecidas, de mexer comigo e me levar para um lugar totalmente desconhecido. O ¿por quá?, com este trabalho, conseguiu fazer com que eu me voltasse para dentro de mim. Trabalhar isso não foi fácil, mas foi muito prazeroso”, comenta.

Outros temas foram abordados de acordo com o que toca cada um dos participantes, como o universo infantil, um corpo despedaçado emocionalmente, a falta de liberdade de expressão e a ditadura. O aluno Flávio Guimarães, por exemplo, utilizou como disparo para a sua dança, a alimentação. Sua performance se baseou numa cena que presenciou no transporte público. Assim, ele oferecia um lanche às pessoas, às induziam a comer junto, mas o alimento era sempre negado. “Para mim, essa residência foi de extrema importância. Dilatou meu olhar para a área da performance no geral. E eu percebi que consegui ativar esse lugar de incômodo nas pessoas”, comenta.

Alunos muito instigados e curiosos que estudaram seus próprios “eu danço” puderam apresentar suas criações no dia 23 de novembro. Este foi o resultado da residência com o ¿por quá? grupo que dança que aconteceu no Instituto Federal de Goiás, Campus Aparecida de Goiânia, com a comunidade acadêmica do curso de Licenciatura em Dança. A princípio ia ser realizada com um grupo específico, do PIBID, que é um projeto de iniciação à docência, mas por questões de agendas de projetos, a coordenação do curso de Licenciatura em Dança abraçou esta ideia.

O TRANSporquar é o projeto de manutenção do nosso grupo que conta com o fomento do Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás, edital 2016.

Foto da residência com o por quá grupo que dança no IFG Aparecida de Goiânia. Nela estão dois integrantes do grupo, Luciana Ribeiro e Hilton Júnior, e os alunos de Licenciatura em Dança que participaram da atividade artística



casa corpo